Rosemary Salles

Rosemary Salles é Economista e empresária, graduada em Ciências Econômicas e especialista em Docência do Ensino Superior, tendo sido docente universitária nos cursos de Jornalismo, Administração e Publicidade.

Voluntária da Conscienciologia desde 1994, atualmente é coordenadora geral da UNIESCON – União Internacional de Escritores da Conscienciologia.

Nesta obra autobiográfica, relata sua trajetória de vida desde sua militância nos movimentos políticos de esquerda até a renovação dos valores pessoais e uma nova consciência política fundamentada na Conscienciologia.

“O sonho de transformar uma sociedade pode se tornar a realidade de transformação de cada um de seus membros em ‘revolucionários’ de si mesmos, ‘cidadãos’ do universo, ‘patriotas’ da multidimensionalidade, ‘militantes’ ativos das Revoluções Conscienciais.

 

 

 

Obra

CONSCIÊNCIA EM REVOLUÇÃO 

O leitor tem em mãos um livro valioso, um manual de Parapoliticologia, com abordagens inéditas a respeito da relação do indivíduo com a política. Revela a trajetória da autora com a ampliação da lucidez e abordagens pessoais, saindo do partidarismo em busca do universalismo vivenciado.

A autora faz a exposição de sua história de vida e transformações pessoais, desde a militância partidária e social, passando pelas crises existenciais até chegar à Conscienciologia.

No decorrer do texto, o leitor observa a mudança do desejo da autora de transformar a sociedade através da luta de classes, para a autoconscientização de que essa transformação ocorrerá a partir da renovação íntima de cada indivíduo.

A revolução mais importante não é a dos grupos sociais e dos Estados, mas sim aquela que ocorre no universo íntimo das consciências, através da reciclagem existencial.

 

Entrevista

ENTREVISTA COM A AUTORA

Jornalista Daniel Muniz entrevista a autora.

1. Qual seu principal objetivo ao escrever um livro autobiográfico com o título “Consciência em Revolução”?

Meu objetivo foi, a partir de experiências pessoais, demonstrar que é possível renovar e implantar novos valores à própria vida. O título tem, intencionalmente, duplo sentido. Um sentido atribuído é o de “ter” consciência num processo revolucionário e outro é o de “ser” consciência em constante revolução intraconsciencial, ou renovação íntima. Ao desmembrá- lo em duas partes, fica delineada esta mudança na maneira de interpretar o título, bem como as mudanças pessoais ocorridas e que contribuíram para mudar o sentido da existência.

2. Você demonstra ao longo do livro que buscou a política devido aos anseios de ajudar ao próximo e acabou deixando-a, porém mantendo o senso assistencial. Como conciliar esta necessidade de ajudar, em contraposição ao conhecimento sobre não ser possível resolver todos os problemas sociais?

Percebi que posso ajudar a resolver os problemas sociais de uma maneira diferenciada, através do “efeito-halo”, ou seja, ao melhorar-me consciencialmente, posso ir implantando um novo padrão de energias ao meu redor e melhorando os ambientes nos quais me manifesto. Não posso mudar as pessoas, como pensava antes, porque as pessoas precisam querer se melhorar, então, não adianta apenas dar-lhes melhores condições de vida aqui nesta dimensão, as necessidades de cada um vão muito além disso, mas posso divulgar idéias úteis para cada um buscar suas renovações íntimas e suas mudanças de vida.

3. Você vivenciou a política dentro de movimentos de esquerda e viu surgirem movimentos de expressão como o Partido dos Trabalhadores, MST e PSTU. De que maneira você se posiciona hoje perante estes movimentos?

Não posso deixar de sentir gratidão pelos aprendizados obtidos em todos eles. Convivi com pessoas incríveis. Com certeza, se tivesse as informações quanto à procedência não ser desta dimensão, minha vida teria outro direcionamento e não me envolveria de modo tão profundo com estes movimentos; porém, não me arrependo de nada realizado. Hoje percebo que posso desenvolver projetos mais altruístas no sentido da amplitude da assistencialidade. Nossa manifestação em diversas dimensões e em diferentes condições amplia este senso restrito de luta pelos direitos apenas da dimensão intrafísica, em uma única vida humana. A desigualdade existe, isto é um fato, mas apenas a organização partidária não é suficiente para se implantar uma nova sociedade, é necessário cada cidadão estar mais lúcido quanto a estas questões e contribuir para uma mudança de fato: pessoal e social.

4. O que a fez sair dos movimentos políticos? Como você vê hoje a política, estando fora dela?

Um fato traumatizante para mim, na época, me fez afastar do partido e dos movimentos populares. Com a descoberta da existência de outra realidade além desta, comecei a rever meus conceitos esquerdistas. As vivências na Conscienciologia foram descortinando uma nova realidade que era o desenvolvimento do parapsiquismo, ou capacidade de perceber e interagir com outras dimensões e isso gerou uma mudança em minha maneira de encarar o mundo. Afinal, se a vida continua após a morte, então porque tamanha ânsia em querer resolver todos os problemas da sociedade através de um processo revolucionário? Hoje não sinto necessidade mais de estar militando num partido político porque sei que posso contribuir de outras maneiras.

5. Na sua opinião, indignação, revolta, luta política e anseios revolucionários ajudam em alguma coisa? Quem tem um senso de responsabilidade e fica indignado com injustiças sociais, na sua opinião, deve fazer o quê?

Em minha opinião, não adianta ver o problema no outro, no governo ou nos patrões. O foco do estudo da consciência é em si mesma, na auto-análise constante: por que me sinto revoltada? Que sentimentos estou tendo neste momento? Este sentimento vai resolver algum problema? A ânsia por justiça implica em vitimização: há sempre vítimas e algozes. Mas como podemos saber quais tipos de relações estão envolvidas em todos os processos e interações pessoais e grupais? Podem haver afinidades entre grupos sociais que vêm de várias vidas e se assemelham pelo padrão comum de pensamentos, sentimentos e energias.

6. Em que nível você coloca a responsabilidade dos cidadãos em comparação à responsabilidade política dos governos?

Cada um tem um nível de responsabilidade de acordo com as informações que já possui. Quem já conhece a Conscienciologia e já a aplica no dia-a-dia, com certeza tem mais responsabilidade sobre os seus pensamentos e sentimentos e já pode implementar suas mudanças íntimas. Os dirigentes de uma nação possuem um nível de responsabilidade envolvendo muitas pessoas, contudo cada um responde por seus atos a si mesmo. Conta a sensação de estar de acordo com seus princípios pessoais e o saldo final das suas realizações. No íntimo, cada um sabe se tem algo importante a fazer em prol de outras consciências e cada um pode avaliar as sensações de satisfação ou insatisfação de se estar cumprindo este “algo a fazer”.

7. Como você analisa os diferenciais entre os esforços da “luta política” ou “de classes” e o atual esforço de alguns segmentos da sociedade em favor do trabalho voluntário?

Todo esforço é útil. Qualquer movimento que objetiva o bem-estar social é válido. A diferença não está apenas na intencionalidade de ajudar, mas na forma. Há várias organizações defensoras dos direitos das minorias da sociedade, enquanto outras instituições trabalham em prol de muitas consciências. Cabe a cada um avaliar e ampliar ao máximo seu senso de assistencialidade e se engajar onde se sinta mais de acordo com suas convicções pessoais. A análise a partir do paradigma consciencial amplia o senso de assistencialidade porque envolve outras questões além da vida humana, que são manifestações em diferentes dimensões, aspectos energéticos e renascimentos em várias vidas para fins de aprendizado e evolução. O paradigma consciencial coloca a consciência, ou o indivíduo, na condição de agente de mudanças dentro de si mesmo e na sociedade. Para mim, a luta política ainda representa segmentos da sociedade (partido = parte) e o ideal é a abrangência para o maior número possível de consciências nesta e em diversas dimensões.

8. O conceito de múltiplas vidas (passadas e futuras) fez você questionar a validade de movimentos que pretendem a resolução imediata de problemas como fome e pobreza? Por quê?

Antes de mais nada, não considero que tudo deva ser resolvido em outras vidas e as pessoas devam passar fome. Em minha opinião, todos deveriam ter acesso à educação, à saúde e ao necessário para se viver, mas considero que cada um pode buscar se esforçar para sair da condição em que está ao invés de se vitimizar ou esperar a solução dos problemas vir do “céu” ou dos governos. Há inúmeros casos de pessoas que deram uma guinada em suas vidas e isso é possível a todos. Basta vontade, empenho e muito esforço para aplicar em seu caso pessoal.

9. Este conceito de que as pessoas vivem várias vidas é uma crença para você? O que você sugere para quem é contra este tipo de conceito?

Não é uma crença, é uma realidade. Já tive projeções da consciência (experiências fora do corpo) de maneira lúcida. Isso não me deixa dúvidas quanto à existência de vida além do corpo físico. Todos nós já nascemos e morremos várias vezes. Quem se dispuser a vivenciar experiências fora do corpo, poderá encontrar com pessoas já dessomadas e verificar como ocorrem os eventos em outras dimensões. A partir do momento de constatarmos esta possibilidade como uma realidade para nós mesmos, é inevitável a mudança nos valores pessoais porque se amplia o referencial, afinal não somos apenas um corpo biológico. Minhas principais mudanças de concepções surgiram a partir desta perspectiva. Além das experiências fora do corpo, também já experimentei retrocognições (lembranças de vidas passadas), convencendome, porque não foi alguém me contando, eu vivenciei com todo o realismo e certeza íntima. Sugiro a cada um se esforçar para sair conscientemente do corpo e ter suas experiências pela própria vontade, só assim se consegue comprovar, para si mesmo, a veracidade destas informações.

10. Como desfazer velhos hábitos e implantar novos modos de pensar e agir?

Para mudar é necessário empenho, vontade e muita persistência para enfrentar as dificuldades íntimas. Todos temos estes atributos a desenvolver, basta desenvolvê-los e utilizá-los na prática. Os velhos hábitos, os condicionamentos e as repressões não são superados apenas com a substituição para novos comportamentos, pois estes representam o final do processo. O início está na maneira de pensar, que vai gerar um novo comportamento. A questão é mudar a estrutura de pensamentos a respeito de si mesmo e do próximo. Isso vai trazer novas necessidades de mudanças cada vez mais profundas na personalidade.

11. O que você sugere para quem acha que sua vida está repetitiva ou fora de rumo?

A sensação de estar em melancolia constante pode significar que a pessoa está se afastando do planejado para sua vida antes de nascer. Ao retomar o contato com as tarefas programadas, a vida terá um novo sentido, relacionada com a ajuda ao semelhante e a si mesmo. Pode-se buscar fontes de satisfação pessoal no voluntariado ou serviços de assistência social. Quando se vê a possibilidade de ajudar outras pessoas a satisfação pessoal aumenta. Quem assistiu o filme ou leu sobre a vida de Patch Adams tem um exemplo do que estou falando. Quem quiser ir mais fundo e ampliar a noção de assistencialidade, pode procurar alguma instituição fundamentada na Conscienciologia, encontrar novos enfoques visando a autopesquisa, ou o estudo de si mesmo. Isto será de grande importância, porque vão se descortinando características pessoais a serem lapidadas e talentos ainda ocultos que podem alavancar o processo evolutivo.

12. O livro, ao contar sua trajetória de vida, mostra que você é uma pessoa que se engaja profundamente naquilo que considera importante. Em quais projetos você atua ou pretende atuar?

Pretendo manter meu vínculo com o voluntariado na Conscienciologia enquanto perceber que esta é a ciência mais avançada, de vanguarda, no estudo da consciência, e minha perspectiva é que isso deverá ocorrer durante toda esta minha vida porque não vejo a possibilidade de surgir nova ciência com enfoque tão abrangente e profundo nas próximas décadas. Também pretendo desenvolver novos temas de pesquisas para gerar novas publicações técnicas e científicas, novos livros capazes de ajudar as pessoas a se tornarem “consciências em revolução” e em evolução constante.