Maria Thereza Lacerda

 

Paranaense, bibliotecária e professora de francês. Publicou livros no gênero pesquisa histórica e ficção.

Conheceu o IIPC em 2000, iniciando o seu voluntariado na instituição em 2003.

 

 

 

Obra

 

A PEDRA DO CAMINHO: HISTÓRIAS DE VIVER E RECICLAR 

A autora examina seu meio familiar, social e profissional, identificando razões que a levaram a desenvolver a curiosidade intelectual e a reagir à religiosidade, espiritualidade e outros modelos afins.

O enfoque está sobretudo na condição feminina e nas soluções encontradas para superá-la.

O texto é rico em descrições de fenômenos anímicos, que propiciaram o encontro do modelo consciencial e as consequentes mudanças decorrentes de uma nova postura.

Entrevista

O jornalista Claudio Monteiro entrevista a autora.

1) Qual a reciclagem consciencial mais importante que fez, até hoje?

Foi, sem dúvida, sair do estado de vítima, reconhecer a minha parte de responsabilidade no processo e, experimentar minha mudança radical de atitute, o que consequentemente, repercutiu nos outros.

2) De que forma você entende a reciclagem de vida e qual a sua importância?

Reciclar, para mim, é, utilizando o mesmo material que sou, eu mesma, transformá-lo de lixo em algo de aproveitável e autêntico.

3) De que modo a ciência Conscienciologia pode estimular mais, a leitura e a produção de artigos científicos?

Com as transformações profundas que realiza em cada consciência, o enfoque de vida, interesses, preocupações também muda. Ao refletirmos sobre um assunto, os conhecimentos de Conscienciologia nos orientam e conseguimos, graças às diretrizes da própria Conscienciologia, produzir artigos "científicos".

4) Qual a melhor forma de consolidar a cientificidade da Conscienciologia e Projeciologia?

Pela contínua autopesquisa. Não há outra maneira. O grupo evolutivo, sua convivência e exemplarismo também ajudam.

5) Na obra “A Pedra do Caminho: Histórias de viver e reciclar”, é possível acompanhar um verdadeiro diálogo com o leitor. Quais as características do seu estilo e a importância desta proximidade?

Escrevendo e publicando, eu me afirmei como memorialista. Ao relembrar, acabamos contando uma história e daí vem o tom coloquial da minha narrativa.

6) A pessoa que desenvolve a vocação para pesquisa profissional não se contenta com as prescrições acadêmicas. Como é sua relação com a pesquisa?

A pesquisa exige persistência, obstinação e uma certa inclinação para o detetivesco, ou seja, uma pista levando a reflexões e a novas descobertas. Como eu não desistia da busca, acabava encontrando fatos inéditos. Por exemplo, o herói da 2ª Guerra, Clostermann, autor de O Grande Circo, por acaso nascido em Curitiba, negou a sua cidadania em 1989. Como eu conhecia pessoas que mantiveram contato com a família dele, na década de 1920, procurei nos jornais antigos até encontrar a notícia do seu nascimento. Anos mais tarde ele se rendeu à evidência: em 2005, nas comemorações dos 50 anos do final da 2ª Guerra admitiu sua cidadania. Antes de sua morte, em 2006, recebeu a medalha Santos Dumont e uma placa em sua homenagem, oferecida pela Prefeitura de Curitiba.

7) Na sua condição de memorialista e formada em biblioteconomia, quais os traços ideais para desenvolver o respeito maior aos livros – bibliofilia?

Antes de tudo, amor aos livros. Porém, a biblioteconomia está se transformando com o avanço da informática. O curso, hoje se chama Gestão da Informação. Isso significa que o trabalho, antes realizado manualmente, vai para o computador e agiliza a armazenagem e a recuperação da informação.

8) Como é esse processo do livro atraí-la como um fetiche?

Na minha infância, além de morar no interior e brincar muito, tínhamos como opção de lazer os livros e a música, através do rádio, pela velha vitrola, ou executada por nós mesmos. Os livros chegavam pelo Reembolso Postal e o pacote que meu pai abria, sempre me fascinava. Um livro novo era tão valorizado quanto um brinquedo.

9) Diante da discriminação da chefe da biblioteca aos livros espíritas como reagiu internamente?

Nunca aceitei qualquer tipo de discriminação. De um lado, havia o exemplo do meio familiar onde ninguém era discriminado. Na infância, a nossa casa era aberta para todos. De outro lado, não me submeti ao tradicionalismo dominado pelo cristianismo. Eu também acreditava na Declaração Universal dos Direitos Humanos que, no seu artigo II, determina: “todos têm direito e liberdade, sem distinção de religião, raça, cor, sexo e outros.” Contrariando tabus sociais, eu me afirmava.

10) O que você mais aprecia na intelectualidade francesa, visto que escreveu num boletim um texto sobre a presença de franceses em Curitiba?

Meu aprendizado foi através de colégios franceses. Uma forte atração pela França permanece até hoje. Para mim, a cultura francesa é importante até hoje, através do pensamento filosófico dos franceses e de sua literatura. Na França, sempre me senti em casa. Minha admiração e prazer começam com Rabelais, passa por Montaigne, Rousseau, Balzac, Proust, Aragon e outros, ainda se satisfaz, simplesmente, com alguns croissants no café da manhã.

11) Você esteve em Béziers e na região do sul da França, onde viveram os dissidentes da igreja católica, denominados cátaros, que tem a dizer a respeito?

Por mais de uma vez e por simples obra do acaso, estive não só em Béziers, como na região dos cátaros. Naquela época, nada sabia de Conscienciologia, mas possuía conhecimento dos cátaros e estes me atraiam porque, seguindo o cristianismo, escolhiam um caminho, para mim mais autêntico e mais de acordo com a pregação primitiva de Cristo; por exemplo, admitiam as existências sucessivas ou sériexis. Em Carcassone estive também por acaso, mais de uma vez. Pude viver a cidade e visitar a fortaleza demoradamente. Não fiz nenhuma correlação com o que sei hoje, mas me senti, inexplicavelmente, inserida no ambiente.

12) Qual o efeito para você e sua família, no aspecto multidimensional da doação de sua casa familiar para se tornar um museu, relatado em sua obra “A Magia do Casarão – Histórias de um Tempo Feliz” de 2003?

A doação da casa da família para se tornar um museu, a princípio, não foi aceita por todos. Com o passar do tempo, mesmo os que se opuseram, reconheceram a importância da conservação da casa pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Hoje é um dos monumentos da pequena cidade mais visitado e, sobretudo, valorizado pela energia positiva que emana do seu interior. Para mim é uma alegria visitar a casa da nossa infância, onde todos reconhecemos, fomos muito felizes amparados pelo amor dos nossos pais.

13) Sobre a censura e as perseguições, pelas quais seu ex-marido passou, e por outro lado a necessidade de controle maior sobre as besteiras que são repassadas na mídia, ou alguma espécie de filtro, o que pensa sobre isso?

Pensar em Imprensa livre é uma utopia. Todos os órgãos de imprensa, de uma maneira ou de outra, têm um comprometimento político e /ou econômico. O principal é a ética pessoal do jornalista e o respeito do próprio jornal para com seus leitores.

14) Por 2 vezes, ao menos, você foi demitida pelo seu posicionamento ético e por ir contra o status quo na universidade? Existe algo que se arrepende, na condição de professora de jornalismo ou biblioteconomia?

Como afirmo no livro, me considero condecorada por ter sido despedida de duas faculdades por motivos políticos, ou seja, por contrariar as imposições da ditadura militar. Não me arrependo de nada.

15) Sobre retrocognições, você tem reminiscências de suas vidas passadas?

A retrocognição mais importante, aquela que me levou ao reconhecimento e superação de dificuldades da vida atual, poderia ter sido no Império Romano. Tenho apenas hipóteses. Aprendi latim com facilidade e me senti atraída pela língua. Lamento não ter continuado o seu estudo.

16) Quais as afinidades que tem a obra de Rosseau e Joana D’Arc, citados na sua obra?

Em Rousseau encontro o amor pela natureza e episódios relatados nas Confissões, sobretudo, com os quais me identifico. Valorizo também o bom humor e a sinceridade da linguagem. Quanto à Joana D´ Arc, é um fenômeno só explicável pela parapercepção e que vem confirmar o que venho estudando na Conscienciologia e Projeciologia do professor Waldo Vieira.

17) Depois de algumas projeções relatadas no seu livro em que sua vida mudou?

As experiências fora do corpo, para mim, foram por vezes naturais e espontâneas. É preciso, contudo, insistir no estudo da projetabilidade e estar alerta quanto às verdades relativas de ponta (verpons) preconizadas pelo paradigma consciencial.

18) Qual é o público que busca atingir com seu atual livro, e de que modo vê a relação entre a Conscienciologia e os cátaros?

Gostaria de atingir leitores da 3a idade. O longo caminho percorrido até chegar à conscienciologia e à reciclagem, muito importante na idade em que estou. Sempre fui atraída pelas histórias dos cátaros e "aconteceu" que visitei, por acaso, mais de uma vez o país dos cátaros. Os cátaros teriam tudo para ressomar como conscienciólogos e espero que o façam.