Dalva Morem

Dalva Fasuolo Morem nasceu no dia 2 e foi registrada em 15 de maio de 1933, na cidade do Rio de Janeiro. Desde criança, quando estudava na escola Estácio de Sá no bairro de mesmo nome, demonstrou imensa vontade de aprender. Embora não tenha concluído a escolaridade formal devido às circunstâncias de sua infância, sempre foi leitora voraz e aluna dedicada da vida. Entrou em contato com a multidimensionalidade muito cedo através da família e da leitura de livros espiritualistas, que sempre apreciou.

Profissional competente trabalhou com datilografia, vendas e teve diversas outras ocupações, passando a dedicar-se a seu lar e família depois de seu segundo casamento com Carlos Moren, por quem sente eterna gratidão pela oportunidade de resgatar seus valores e autoestima.

Prestou assistência aos pacientes no Hospital do Câncer através da doação de energias durante 13 anos. Conheceu a Conscienciologia em 1997 e tornou-se voluntária do Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC) desde então.

 

Obra

SEMPRE É TEMPO: UMA RECICLAGEM EXISTENCIAL NA TERCEIRA IDADE 

O livro Sempre é Tempo foi lançado em 23 de novembro de 2008, depois de 9 anos de produção. O evento ocorreu em paralelo à fundação da Uniescon – União Internacional dos escritores da Conscienciologia e do DVD contendo 1000 verbetes da Enciclopédia da Conscienciologia, de autoria do professor Waldo Vieira.

"Este deveria ser um livro de cabeceira daqueles que se encontram insatisfeitos com o saldo de sua existência e dos que se encontram ávidos por informar-se sobre as possíveis consequências de ingenuidade e escassez de informações".

Livro relata suas crises e superações na trajetória familiar.

 

 

 

 

Entrevista

ENTREVISTA COM A AUTORA DALVA MOREM

Pelo jornalista Claudio Monteiro

Como foi o processo de repressão e a sua infância, retratada no livro?

Meu pai era descendente de italiano e de família pobre, e vivia a cultura do país dele da época dos pais deles. Eu não tinha liberdade e era muito presa.

Eu virei moça na escola, dei maior vexame, eu não sabia do que estava se passando comigo, lá em casa não havia diálogo. Eu queria fazer um curso de manicure e meu pai dizia que isso era profissão de “mulher da vida”, eu nem sabia o que era “mulher da vida”.

Pedi muito meu pai para me dar uma condição e não obtive apoio Tive muitos acidentes de percurso, fui criada muito desarmada e indefesa, exposta às malícias do mundo. Eu não tive forças para lutar sozinha, me sentia muito desprotegida. Pelo modo que eu fui criada com pais repressores, com certeza algo deveria ser trabalhado em minha personalidade, relativo à liberdade cerceada e autoconfiança.

Quais as dicas para os jovens de hoje, após uma vida tão sofrida e dura, conforme relatada em “Sempre é Tempo”?

Hoje as mulheres não estão valorizando o zelo do lar, há muita tecnologia, a pessoa pode aprender sozinha, ou fazendo cursos, há muitas facilidades e liberdades. No meu tempo não era assim e só por ser pobre e ter que ir trabalhar, já era foco de assédio e vulnerável.

Chegou um ponto de saturação, principalmente após ter ficado mulher desquitada. Pois casei cedo para sair da prisão dos meus pais, iludida quanto ao meu primeiro casamento. Eu agia sem pensar, só fugindo daqui para ali, dali para aqui, este foi claramente o processo de interprisão, que vivenciei até encontrar o homem que me assumiu, e me deu um lar. Ele me deu uma família e não teve preconceito, pelo fato de eu ser uma mulher desquitada e com filha. Tive este companheiro por 45 anos, até o seu momento de seu falecimento.

Antes, no ambiente de trabalho vivenciava situação de falta de respeito da maioria dos homens. Eu era muito menina e não tinha discernimento, esta condição de convivência difícil gerou uma fuga, procurei refúgio na minha própria casa. Fiquei morando com a minha sogra, depois fiquei morando com meus pais, enfim encontrei alguém, que realmente me deu um lar.

Diante tantas dificuldades na vida e na sociedade como enfrentar a autovitimização?

Existem pessoas que receberam muito e ainda hoje cobram dos pais, isso é autovitimização, gera uma imaturidade, que representa e fortalece um vínculo negativo entre as duas pessoas.

Quanto mais a pessoa se coloca como vítima, pior fica , certo?

A melhor maneira é tentar compreender, o porquê do acontecimento. Porquê eu tive estas vivências? Se foi para que eu tivesse dado um passo largo na evolução, valeu !! E se não foi ? Se houve abuso de poder, se houve imaturidade dos meus pais ao não me darem educação, eu fui vítima deles. Uma vez conversando com professores do instituto sobre este assunto chegou-se a conclusão que ninguém tem programação para ser prisioneiro.

A vítima de hoje, pode ter sido o algoz de ontem, nas vidas passadas. Isso só vamos saber mesmo, depois que dessomar, no extrafísico. Junto aos amparadores, fazendo um balanço da vida.

Tem pessoas que não conseguem viver ombro a ombro, lado a lado, ou são algozes ou são vítimas?

Isso depende do grau de evolução da consciência, se ela chegar ao grau de compreensão de que nada acontece por acaso, aí é justificada esta interprisão. “Ninguém paga sem dever”, toda ação leva a uma reação, numa vida ou noutra temos que acertar os ponteiros, as arestas, nada fica perdido.O que estou recebendo aqui no CEAEC, representa o que eu já “dei lá fora “! Mesmo tendo me dedicado a religiões, a intenção positiva sempre é válida.

Como a senhora analisa a condição de interprisão?

A pessoa que se encontra nessa condição deve procurar evoluir, fazendo bastante interassistência, inclusive, e principalmente ao seu próprio grupocarma. O melhor de tudo é compreender as consciências do seu grupo, só aí que vai livrar a interprisão. Ninguém muda ninguém. Se estiver muito difícil, cuide de si mesmo, se não acertar nessa, acerta na outra.

O título SEMPRE É TEMPO se aplica a quê?

SEMPRE É TEMPO de estudar, de planejar, de voltar atrás, de fazer a reciclagem intraconsciencial.

Obrigada a todos!